fevereiro 9, 2009

Eu saí sem me despedir. Fui embora sem vê-lo uma última vez. Deixei-o sem palavra, sem gesto, sem olhar, sem calor. Não consegui me desfazer das horas de deleite em tão poucos segundos. Impossível deixar para trás os instantes de felicidade plena, trocá-los por momentos de saudade iminente e desapego cruel.
os dias que passei junto ao seu coração me proporcionaram emoções e sabores inéditos, coisas que não haviam me tocado tão unicamente. As palavras que me proferiu ao longo dos meses de distâncias se materializaram em afagos, afetos e amores. Sentir sua presença, seu braço, seu peso foi o néctar que me alimentou incessantemente.
Não disse adeus. Não pude abandonar tamanha alegria, tamanho gozo. Não quando aprendi o que é reciprocidade. Tive-o de todas as maneiras e já o possuo. Daí não precisar ir embora. Estamos em uníssono. Estamos um só.

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annaquarela,

janeiro 17, 2009

madrugada. 03:15 da manhã. roberto carlos na alma, resquícios de cerveja na cabeça. abraços muito bem guardados, vontades sinceras (e ditas) que avançaram sinais vermelhos no caminho até aqui onde moro. tudo tudo sempre fotografado com essa grande angular que é meu coração. eu te entendo inteira e te digo mais uma vez: somos bem mais fortes do que pensamos ser. devemos nos orgulhar e sorrir. sofrer já quase não existe, já morri zilhões de vezes, no próprio onze de janeiro quando meu coração estava (se possível) mais escancarado que no resto desses anos todos e olha eu aqui. somos isso mesmo: “recomeços do-sem-fim”, o transatlântico flutua agora nessas águas rasas dos meus olhos. “é recente”, ela disse. sabemos que eterna é nossa verdade. essa não finda nunca. somos gente demais e isso é o tudo.
abraço daqueles.

recomeços do-sem-fim, que é a entrega das almas nossas

janeiro 16, 2009

estácio,

desde domingo penso em escrever-te algo, mas sempre acaba em uma carta dessas bem ajeitadinhas com um pedido de desculpas e impessoalidades por não estar contigo no teu aniversário. mas não posso, estácio, eu não posso ser impessoal com alguém que é tão gente como tu.

o fato é que eu não sabia como começar de verdade uma carta que revelasse os porquês inexplicáveis de não ter estado com você (de alguma forma) no seu onze de janeiro. para me justificar eu precisava registrar em palavras verbalizadas (e verbalizar é uma forma de me ouvir e consequentemente registrar) a dor de quem perde uma paixão.

é, estácio, aconteceu de novo, e mais uma vez, uma outra vez (quantas mais serão necessárias?!) aquilo que eu acreditava ser para sempre, findou. assim, como areia escorrida pelas mãos depois de uma ventania réa de nada, cessou um gostar (para uma das partes), e uma andorinha só faz um verão marromeno. aí, tu me sabe, ah estácio, tu é tão conhecedor das paixões mais-maiores-do-mundo, tu me sabe do desmantelo, do desespero que é ficar com uma sensação absurda e enorme de querer continuar a brincar no quintal de flores, mas não me ser mais possível isso. eu faço birra, faço manha, choro, me descabelo, respiro fundo e travo uma batalha interna para continuar acreditando no que chamam de amor. amor pra mim é respirar, estácio. é na pele, são nas coisas mais simples e tão grandiosas!! e eu fiquei dolorida: o corpo, as idéias.. eu não sei onde guardar os planos, onde direcionar uma paixão que é tão muita e que movimenta meu caminhar.

lembrei de você, sim. era seu dia e havia uma programação. quis estar celebrando com você os dias de janeiro, que são tão nossos, mas o tempo de delicadeza não me permitiu.

eu sei que você vai entender esse pedido de desculpas, porque você é um ser que se joga, como eu, nas coisas do coração, não saberíamos ser diferentes. e dessa forma, vamos sendo gigantes, vamos adiante, porque ‘não se afobe, que nada é pra já’.

feliz todos os tempos, estácio. e que o tempo nos seja generoso, nos contemple com amores vindouros, com recomeços do-sem-fim, que é a entrega das almas nossas.

a gente se vê daqui a pouco, no transatlântico.

beijo grande, de amor e afeto bem muito. pra nós.

sobre ventos e calafrios

novembro 16, 2008
as folhas do calendário voam, como os meus cabelos que cresceram e se deixam levar pelos ventos da janela. ainda não li aquele livro que você me emprestou, mas mantenho ele destacado dos outros, que assim um dia eu pego e começo a ler. ou pelo menos então, passo tardes inteiras pensando em você. eu sou como um grande catavento que muda de direção. tenho me soprado bastante para ver se me vento. se vento ou tenho calafrios pra me percorrerem a nuca, que agora se esconde um pouco debaixo dos cabelos. e o verão já é quase. e o verão já é quase. o céu do verão é mais bonito, e não sei porque. e é a única época do ano que eu realmente gostode ficar na piscina. acho que é porque é a única época do ano em que o sol a cobre por quase todo dia… ou talvez sejam apenas as boas lembranças que me visitam. domingos de praia e almoços ao som de belchior. sem cabelos cortados, sem frio ou tempo contado em calendários…
bom pessoal, este não é o meu post sobre aceleração, na verdade é um texto que acabei de escrever no meu blog, mas senti vontade de posta-lo aqui também. ultimamente tenho percebido o quanto os dias estão passando rápido… hoje por exemplo quando peguei o calendário que fica em cima da minha mesa, vi que ele ainda estava marcando o mês de setembro! e não sei se é o verão chegando ou se são os meus ventos mesmo, mas toda essa velocidade só fazem as coisas andarem mais devagar em mim, assim como as lembranças de épocas em que a aceleração não era tão presente na minha vida.
um abraço grande, caroll.

No seu determinado tempo.

setembro 26, 2008

Ultimamente vivo assim… numa aceleração danada. As coisas que há um ano queria que acontecessem finalmente estão acontecendo, em algum dia naquele ano, numa das minhas idas ao consultório minha dentista disse “você faz moda??”  eu respondi Não!! Mas já tive vontade, aí ela disse “Faz sim, você tem jeito!” e eu fiquei impressionada como ela acertou. Será que é tão aparente assim?! Às vezes as pessoas elogiam meu estilo.

Hoje estou num processo de querer que as coisas aconteçam logo; num processo de aceleração; de ansiedade, mas sigo aquela filosofia que na vida  as coisas acontecem no seu determinado tempo!!! Um exemplo claro disso é o que falei antes, a um ano queria esses acontecimentos, mas ele só veio agora, no seu momento, no momento certo, no meu momento.

carta a ninguém

setembro 23, 2008

amor meu, espero tua volta. passei 120h do dia seguinte acordada pois tua ausência faz o sono se fazer também ausente. e de pensar em toda lentidão do corpo, espreguiço, copos de vinho na cama à espera. bebo um ou dois, dancei frente à sobra, três, debaixo do chuveiro. tomei mais um copo e coloquei as roupas pra secar. fiz o jantar: dois pratos na mesa, bocas famintas. mas você não estava. comi e me comi, mas pode deixar que te guardei um pedaço dentro de mim. escrevo a mim mesma, mas ainda sem esperança que eu me leia.

Chora a Cultura Pernambucana

setembro 13, 2008
Pernambuco perdeu um ícone da cultura popular,
Mestre Salu… o grande mestre da rabeca,
o grande mestre de Maracatu (Piaba de Ouro)

MESTRE SALU um homem que vai deixar saudades…

http://www.curtaocurta.com.br/curta/71/

“Meu povo levanta poeira, mas eu nunca passo fome, é assim que eu deixo o nome na CULTURA BRASILEIRA”

tem 93 anos, nasceu no quinze.

setembro 9, 2008

consertaram a linha telefônica depois de dois meses. ao primeiro toque, atendo. a voz trôpega do outro lado, na cidade vizinha, reclama saudade.
– alô?!?
– alô!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! karine?!
– …
– minina, você não acha que ta na hora de visitar os seus, não?!
– vô!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! sua benção!
– deus te abençoe.
– vô, eu tô com saudade do senhor!
– e você acha que eu tô usando esse troço (telefone) porquê?!

meu avô, seu antônio lopes, tem 93 anos, nasceu no quinze. anda ereto, tem sinusite e cabelos branquinhos. usa chapéu de massa, faz o café forte mais delicioso do planeta e conta histórias, as mais bonitas do mundo inteiro. em momentos de falar de amor, ele pede, nêga, faz uma ligação aqui nesse telefone celular, faz.
saudade da boa, dessas de expansão, em que se mata com uma paulada certeira.

saudade dela mesma

setembro 8, 2008

coisa de não-sentir

agosto 24, 2008

Acorda e vê que não está bem… que seu dia não será tão gracioso e completo;

Contenta-se em tentar entender e espera…

Os restos da manhã passam e o que era uma falta de compreensão vai ganhando dimensão; mas pouca ainda.

[começa com um leve formigamento na ponta do dedo]…

Passam-se horas e quando se da conta seus olhos enchem de lágrima e sente sufocar – suportável.

[já está se dando conta do que há]

Suas pernas então param de sentir o sentir do tempo e das ruas passarem. Pensa ser normal, pois coisas estranhas e doentias são feitas para pessoas… e por enquanto se considera uma.

Mas o sol se põe e passa a “viver” sozinho e sem garantias.

A noite chega em um lugar que costuma chamar de morada de algo não-suspeitável.

[e daí seguem-se os piores momentos]

Tenta sentar, não consegue…

Tenta se olhar no espelho buscando identificação, em vão…

Deita-se de modo que sua cabeça fique num nível um pouco abaixo do resto do corpo – que é pra se sentir mergulhando.

Gostava muito de mergulhar quando era infância. Nela havia uma mão que lhe guardava e dizia que ficaria bem e seguro.

[aos poucos vai retomando consciência]

Os olhos, antes turvos, abrem-se.

E se lembra como era a vida antes daquele dia… pensa nas pessoas que não estão ali no momento, resgatando as vivências na memória.

Vê que é um processo natural. Acredita que o que tem com as pessoas de sua vida de agora e de antes, de alguma forma, entra em comunhão.

[E até consegue dançar (chorando ainda). Mas sabe que são necessários a dança e o “ter com o que” chorar]

Eis aí uma criatura que por pouco não morre de saudades.