De saudade minhas mãos estão cheias
Mas, nem só as mãos
Os pés, meu cavanhaque, o prestobarba que desliza deixando pra trás partículas de mim e de células escamadas
As cartas que uma menina me mandou do Ceará
as roupas que estão apertadas
No radio uma mulher fala: dez e trinta e três!
E ja não é mais
É saudade
É tempo que ficou
Que ficará
Tanta coisa que você me falou
Hoje guardo nos meus orgãos de sentidos
Gera sentimentos, emoções
O máximo que consigo é escrever
A escrita se aproxima, mas nunca chega, nunca basta
Concordo com Clarice que diz que escrever é procurar
Saudade também é procura
Clarice procura, eu procuro Clarice, Alice, Tamara…
Carrego pedaços de procura em mim
Que se vão no deslizar do prestobarba
No sorriso do espelho
No rádio: dez e trinta e cinco…
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Saudade também é procura
Agosto 10, 2008Não sento. Nonsense.
Maio 18, 2008Ando sem memória. No assunto está termômetro, no corpo se fala de tempo, de niños e niñas. O desejo é que meu entendimento seja o entendimento de todos para alcançar uma coerência. Me assusta esta falta de memória, o caráter no-sense: a loucura. Mas a loucura é simplesmente a interpretação dos sãos, logo para ter loucura é preciso ter “sãos”, estes formam conceitos para instituir o que é o louco, o louco é tudo aquilo que foge dos parâmetros do normal, talvez uma falta de entendimento, uma má interpretação é o bastante para largarmos a citação julgadora (muito sútil): “tá maluco”??, esquecendo de aspectos culturais, desfazendo da maneira diferente de pensar, sim este texto é uma lamentação, pois esta semana li sobre a vida de Nise da Silveira e seu trabalho fantástico com os loucos dando vasão as suas expressões, realizando trabalhos maravilhosos, muitos no acervo do museu do inconciente, Arthur Bispo do Rosário foi outro que ao darem a condição de liberar seu “inconsciente à céu aberto” (Lacan) realizou obras magníficas hoje expostas em museus internacionais, faça o teste, vá no google e digite: Bispo do Rosário e veja suas obras.
Em toda a história sempre tem algum que sai da conduta, Bispo do rosário, Nise da Silveira, Van Gogh, Chaplin e é isso que nos enriquece, vocês que escrevem este blog, que pensam diferente de mim e que construímos por isso.
Não me levem à mal, mas hoje o sentimento tá na ponta do dedo, despejo-o para o universo ciber via teclado e coração, partilho com vocês e sinto a necessidade de correr, de beber água, chocolate e abraçar alguém.
Hoje é Rio de Janeiro, domingo de sol e eu brindo a vida com vocês amigos. Sem sanidade, sem preconceito.

Vestindo o agora
Abril 9, 2008Vivo tentando escrever minhas intimidades em meu blog, numa maneira de me despir com muito cuidado para não ser presepeiro. Talvez uma característica latente de minha vaidade. Agora são 22:30 no Rio de Janeiro, o dia é 7 de um abril único de um 2008, também único, chove lá fora e eu ouço Fernanda Takai e Rodrigo Amarante numa música que diz: “Chove chuva traz o meu amor“, esta é minha intimidade agora, me sinto forte e um espírito que quer ultrapassar o corpo rasgando primeiramente meus olhos, não ele não sairá. Despido aqui estou no laboratório da faculdade. Falando em música, em intimidade…me lembro também de uma do capital inicial que pergunta: “o que cê faz quando ninguém te ver fazendo ou o que você queria fazer se ninguém pudesse te ver?”. Sempre lembro desta música quando entro no banheiro e lá grito, choro e tenho desejos que sempre ali aparecem, a maioria realizável. Este texto é despido, pelado, sacana como os desejos realizados nos sonhos, onde o ‘não’ não existe, nem a morte. Mas por mais que eu me dispa peço pra deixar a luz apagada.
Cidadalma
Janeiro 25, 2008Na minha cidade se tu procurar a cada dez minutos acha um sorriso.
Tolo é quem encara “Tudo bem?” como uma pergunta e não uma saudação.
Os faróis geram flashes cintilantes que tornam o viaduto do gazômetro em faixas multicores.
Faixas coloridas também são traçadas pelos transeuntes da Rio Branco.
A Rio Branco ferve de segunda a sexta.
É no final da rio Branco que você encontrará o Teatro Municipal, a câmera dos Vereadores e o Odeon.
Foi há uma semana atrás que conversando com um amigo do nordeste descobri que realmente falamos chiado. Tchiatro Municipal, entende?
Foi semana passada que descobri que perdendo um amor, se re-encontra vários amigos e ai a gente quer as coisas simples da vida, como conhecer o Bairro do Horto e comer caldo de feijão. E a dor ajuda a desabrochar pra vida.
”A vida é rápida meu filho”, falou minha avó quando fez 88 anos.
O Bairro do Horto é próximo ao Jardim Botânico e o Jardim Botânico é um jardim e um bairro ao mesmo tempo. A Clarice Lispector tem um conto chamado “Amor” que fala dele e do efeito das jabuticabas no chão. É deste jeito: tudo colorido. Mas e a violência dos jornais? Tem! É um mal do mundo moderno. Mas têm também projetos culturais no morro do Pavão, tem uma galera fazendo cinema na favela, documentários que servirão para a história. Tem tchiatro amador. Ahh tem também crianças lindas, excursões ao Jardim Zoológico e ao Bondinho. Minha cidade-alma tem esgotos e tem jardins, tem amores perdidos e amigos reencontrados, tem valores onde jamais fora vistos, tem suingue, balanço e na fé do dia-a-dia encontro a solução. Quando bate a saudade vou pro mar…
saturação dos sentidos
Dezembro 24, 2007A exatamente vinte anos fazia o mesmo trajeto Santa Cruz – Madureira, todo santo dia, ou melhor, de segunda a sexta.
É difícil descrever em detalhes as flores da casa do seu Régis , assim como as folhas de hortelã do quintal de Dona Célia que saltitavam pela cerca. Mas o porque disto, deste descaso com coisas tão singelas em minha rua, meu habitat.
Lembro que uma profesora de psicologia falou da saturação dos sentidos, funciona como o cigarro pro fumante, o perfume forte de anos. Não se sente mais. Se está vivo e não está. É insensível. Sou eu que agora sofri um abalo sistêmico. Tudo por causa da menina de tranças, vestido amarelo, que flutuava suas sandálias na calçada gramada do Seu Amorim, ela deu o destaque pra calçada com seus pés de unhas vermelhas, sandália trançada até as canelas, um desfilar sem fim que tinha como pano de fundo gramas e pés de araçás da casa do Amorim. Era tão lindo que entortei o pescoço até o “bum” no cruzamento daquela esquina. Não era mais calçada. Era rua. Sem flores, sem hortelã, com ervas daninhas de cimento, microorganismo blindados e muita violência.