Eu saí sem me despedir. Fui embora sem vê-lo uma última vez. Deixei-o sem palavra, sem gesto, sem olhar, sem calor. Não consegui me desfazer das horas de deleite em tão poucos segundos. Impossível deixar para trás os instantes de felicidade plena, trocá-los por momentos de saudade iminente e desapego cruel.
os dias que passei junto ao seu coração me proporcionaram emoções e sabores inéditos, coisas que não haviam me tocado tão unicamente. As palavras que me proferiu ao longo dos meses de distâncias se materializaram em afagos, afetos e amores. Sentir sua presença, seu braço, seu peso foi o néctar que me alimentou incessantemente.
Não disse adeus. Não pude abandonar tamanha alegria, tamanho gozo. Não quando aprendi o que é reciprocidade. Tive-o de todas as maneiras e já o possuo. Daí não precisar ir embora. Estamos em uníssono. Estamos um só.
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Fevereiro 9, 2009
lá.
Janeiro 7, 2008as luzes mudam três vezes ao dia. o sol da manhã pousa os melhores raios, o calor mais vibrante. o movimento intenso de passantes lembra a caminhada, o primeiro dia de escola, a labuta bendita, a feira, o almoço a preparar. o início da tarde traz a preguiça, um vazio que impera em solidão. a quentura do dia se concentra lá, teimosa e displicente. a brisa fagueira do fim de tarde seduz ao encontro. a confluência da tarde com a noite é chamamento para a velha prosa, para compartir os acontecimentos diários, para despedidas intermináveis. a brincadeira das crianças se concretiza lá. a amarelinha é desenhada como no pensamento, a corda estala estridente e a bola rasteja-pula quicando. lá também é endereço do namorinho de portão, inocente, sabido e brejeiro. risadas, gargalhadas, constatações, afetos, puxões de orelha, manifestações de apreço e gentileza. na calçada. nas calçadas.