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Sons e revelações.

Maio 3, 2008

Escancaro, grito bem alto diariamente meus segredos. Quase um auto-flagelo. Sou capricorniana, gosto de um drama. E não é falso, meu drama existe, vive, respira, tem coração arrítmico, meu drama é só meu. E está sempre nas minhas músicas que tocam diariamente para serem vistas, para serem lidas, para serem interpretadas. Por que será que ela está ouvindo tanto essa música, esse álbum, essa banda? Por isso mesmo, e não por outro motivo: pra dizer, pra contar tudo de mim sem precisar sair desse estado de silêncio em que me enfiei há meses. Continuo calada, não digo, não peço, não convido. Porém, a manutenção de informações do que acontece dentro de mim é contínua, está sempre lá. Todos os meus sofreres e minhas alegrias. Angústias e sonhos salpicados nas músicas que ouço. Pra lembrar, pra sonhar, pra chorar, pra rir, pra sofrer ou pra ser feliz. Sou atriz, mesmo quando sou personagem tenho minha verdade e me agarro com toda força a ela. Hoje, mais do que nunca, minha intimidade grita aos quatro cantos do mundo. Em portugês, em francês e inglês. E nunca foi tão silenciosa.

Renascimentos. Ou: Domingo de páscoa.

Março 23, 2008

“Aprendi com a primavera a deixar-me cortar e a voltar sempre inteira”. Já faz tempo que Cecília Meireles disso isso e a frase bóia em círculos em minha mente. Morrer e nascer de novo. E me pergunto por quantas mortes ainda vou passar pra te encontrar embrião dentro de mim novamente. Mas você não acredita em reencarnação, não se interessa em questionar a natureza das coisas e das gentes e não entende como funciona o florescer. Não te culpo. Te compreendo. Te lamento. Te odeio, ou quase isso. Te vejo longe e me vejo aí, presa no seu calcanhar. Não por opção minha, talvez nem sua. É que às vezes é assim mesmo. Às vezes a gente pensa ter se livrado mas cola com Superbonder cada vez mais a pessoa na pele. Desejo muitas mortes pra você. E um derradeiro renascer, no meio de tantos, realmente livre de medo da nudez e escorregões na calçada. Escorregue, aprenda e desaprenda a andar no meio fio. Sinta medo, sinta vergonha, ame, odeie, sinta-se ridículo, chore, ria, sinta e viva a vida de verdade. Quem sabe no meio desse vendaval as varetas quebradas dos nossos guarda-chuvas se enrosquem. Quem sabe.