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PACIÊNCIA
Junho 26, 2008Temperatura média
Maio 10, 2008Impossível não pensar no futuro , principalmente, nas coisas que acontecem no presente e que deixarão rastros no passado.
Por isso me pergunto: como sobreviver sendo uma pessoa mediana?
Escrevo textos medianos, faço comentários medianos, tenho atitudes medianas, tudo é muito mediano quando se trata de Paula.
Não é fácil passar a vida inteira tentando ser você mesmo (o que não é igual a ser mediano) e não ver destaque, não ver diferença em seus atos. E olha que não sou de dormir no ponto, mas a tristeza vai me brecando aos poucos.
Meu termômetro não vai a zero e nem a menos, não vai a 100 e nem a mais. Mediano!
Texto escrito após assistir Dogville.
Abraço
Abril 18, 2008Nunca estou sozinha.
Divido meu quarto com minha irmã.
Pego ônibus lotados.
Caminho pela Paulista.
Não falo com ninguém e ninguém fala comigo.
Eles não me conhecem.
Imagino a história de cada um.
Alguns me parecem familiar.
Também gosto de estar só no meio de tantos.
Meus pensamentos são meus, só meus.
Não gosto de dividi-los, pois são meus e ninguém os entenderiam.
Por que só não me abraça e percebe o que sou?
É difícil!
Sou, não sou. Estou, não estou
Março 22, 2008Não sou eu. Sou eu. Sou várias. Sou uma. Sou única.
Opiniões mudam, mantêm-se as mesmas por anos, por décadas, nunca se quebram, sempre se desmancham.
Nunca sei o que é certo e errado, pois meus princípios são altamente mutantes. Nem sei definir o que quero pra mim. Pergunte-me agora o quero comer que não saberei dizer com certeza na lata.
Mas também sei que quero fazer o que acho certo independente do que as pessoas me dizem e acham ser o mais correto.
Vivo crises constantes. Não, não faço análise. Não tenho que dividir o que penso com outras pessoas, disso tenho certeza absoluta. Se um dia for necessário, paciência, mudo de posição. Pronto!
Enojo-me facilmente. Odeio hipocrisia, mas será que não sou hipócrita também quando dou sorrisos amarelos para quem não suporto? Para aquelas pessoas que renunciam por acharem que fugir da guerra é melhor do que dar continuidade ao que começaram, arrumar a merda feita, ajeitar a casa, assumir os erros e recomeçar? Para aqueles que esquecem de que têm livre-arbítrio, de que podem escolher assistir a programas legais e não BBB’s da vida?
Quero que a discussão dentro de mim nunca pare. E não me refiro à luta entre bem e mal. Nada de maniqueísmo! Isso é chato e monótono demais. São guerras feias entre diversos lados, o que torna os problemas bem maiores do que realmente são.
Não acho ruim. Prefiro assim. Cresço mais e mais rápido dessa forma. Meu pensamento aprende a ser mais completo, mais complexo, mais instigante, mais bonito e incompreensível para os outros. Só eu me entendo. Tenho minha própria gramática, meu próprio vocabulário, minha própria lógica.
Decifrar os outros é ridículo e impossível. Até hoje não aprendi a me entender, quanto mais os outros.
O melhor / pior de tudo é que gosto de mim assim, poderia ser mais tranqüila, mais feliz, menos ansiosa. Mas se não fosse assim, não seria quem sou, e gosto de quem sou.
Sou eu.
Não sou eu.
“São São Paulo, meu amor!”
Janeiro 28, 2008Descobri que sou São Paulo.
Não moro nela, sou ela.
Pensava que ela havia me gerado em seu útero, que havia aprendido a viver com ela, mas não, meus gestos são os gestos dela.
Quando garoa, é dia normal. Quando chove forte, é tristeza e preocupação. Quando o asfalto queima, é inquietação. Quando o sol e as nuvens ficam em harmonia no céu, é felicidade.
Nunca paro, durmo mal, acostumei com o trânsito (que trânsito, se não se sai do lugar!?) impossível, não saio da avenida Paulista, sempre em cinemas e shows, não tenho carro, não tenho dinheiro, tropeço na calçada sempre, reclamo do pronto socorro (três horas na fila), sou estressada, vivo em ônibus lotado caindo aos pedaços (isso quando tem ônibus!), pago impostos até morrer e, quando passo uma semana longe de tudo isso, sinto falta de ar, me dá agonia, uma sensação de perda, e não vejo a hora de voltar. Clássica paulistana!
Sou onde vivo, vivo onde sou.
São Paulo, parabéns por mais um ano de vida e que venha saúde, educação, moradia, empregos, oportunidades, condições de vida adequadas…
Rotina
Janeiro 28, 2008Risadas, conversas.
O som do trilho,
A luz forte e fraca.
Roqueiros, baladeiros.
A leitura interessante,
O apito chato.
Olhares, suspiros.
As pernas balançam ansiosas.
Um telefone toca:
- Alô?
A chuva (finalmente) bate no vidro.
- Que som alto!
- Parece música ambiente!
Agora as risadas são forçadas,
Não tem mais graça.
Alguém olha para mim,
Quer saber o que estou escrevendo.
Não interessa, sabia?!
Bolachas são comidas,
Ouço o barulho do pacote.
O vai e vem.
Instrumentos, malas.
Rotina.
“Sou pisada, mas fui feita para isso!”
Janeiro 5, 2008Olá! Meu nome é Calçada e trabalho como lugar onde as pessoas se apóiam para tomar impulso para continuarem a caminhar. Eu sei que é uma função complexa a ser executada diariamente, mas, como o mercado anda concorrido ultimamente, não quero me arriscar em outro emprego. Além disso, também gosto desse.
Muitos passam por mim e nem imaginam como é o mundo daqui. Só se lembram de mim quando tropeçam e soltam a enorme lista de palavras de baixo calão.
Vejo muitos sapatos diferentes, mas o que chamou mesmo minha atenção foi um par de pés descalços. Ficou horas em cima de mim, desenhando letras em minha superfície. Foi o único momento em que desejei ser humana, porém essa idéia logo foi colocada de lado quando os coturnos chegaram e o tirou, pois prefiro ter a função de ser pisada a ser calçada porque outras pessoas gostam de judiar outras.