(Pessoal, tomei a liberdade de postar mais um artigo sobre este fantástico tema…..esse artigo eu achei perdido nos meus arquivos de 2006, quando nem fazia parte deste grupo…lá vai)
Não sei qual é o verbo exato que deve acompanhar esta palavra tão densa. Quando tenho saudades também sou as saudades. Penso saudades, sinto saudades. Vivo as saudades…respiro ar novo mas que nem por ser novo não deixa de estar contaminado por ela, a dolorida, ardida e incompreendida saudades. Parece que esta palavra é plural e ela realmente é. Sempre plural as saudades não sabem ser singulares.
Sempre que sinto saudades de um momento ou de uma pessoa, qualquer que seja o objeto, este vem direto de um sótão empoeirado onde memórias são guardadas. Vem também, entretanto de uma memória que se encontra em parte na cristaleira de cristais raríssimos localizada perto do coração. Vem da sala onde guardo minhas músicas, próximo as orelhas quando dizem respeito às musicas ou ruídos de vento ou cachoeira. As saudades se espalham em pontos estratégicos do meu corpo. As vezes acredito que, em que pese eu ter uma forma que me faça ser identificável como eu mesma, cada fragmento de célula meu tem saudades específicas. Órgãos sentem saudades, chakras sentem saudades, pés sentem saudades.
Sinto tantas saudades de andar descalça de camiseta e shorts de malha no sítio. Pequena olhando o céu. Sinto saudades de colocar o uniforme nas manhãs frias de escola por mais detestável que isso fosse outrora. Sinto saudades do cheiro de roupa limpa da área de serviço. Da casinha de bonecas da minha prima na qual eu brincava incansavelmente.
Sinto saudades dos banhos de mangueira no verão, das ameixeiras amarelas do quintal. Saudades do lanche na lancheira e da fila do leite.
Saudades de quando fumar um cigarro era uma aventura que dava até tontura. Saudades de acordar para brincar nas férias.
As saudades são incontáveis pois fazem parte do conjunto infinito de que somos feitos…..
Melvis
12/2006