Arquivo da categoria ‘maria da graça’

Eu não estou aqui, isso não está acontecendo.

Março 24, 2008

Quando alguma coisa tem que dar errado na sua vida, ela simplesmente dá, e as coisas tendem normalmente a serem muito injustas, sabe quando algo lhe diz “fica em casa, fulano!”, e você não dá ouvidos a esse algo. Quando você sabe que está mal, tristeza boba apertando dentro do peito, em busca de qualquer sorriso de qualquer pessoa, ou qualquer piada sem graça, que ainda sim você sabe que irá rir. Você sai de casa sem esperar grandes coisas, na verdade nem as quer, simplesmente a necessidade é deixar as coisas fluirem, na sua perfeita normalidade, porque sente, não sabe como, simplesmente sente que seus olhos marejam por qualquer coisa, e que lá no fundo nada anda fazendo sentido direito. Nessas horas sempre tem um promotor que não quer ouvir sua defesa, e um juiz que quer lhe condenar a qualquer custo, sempre!
Pois é, quando tudo se encaixar nas características acima, não saia de casa. Conselho meu.

Hoje não tem sol.

Fevereiro 13, 2008

Na cidade cinza, escura por dentro, escura por fora. Tantas viagens, em tantos dias, de tantos dias. Prédios altos, relevo dos sonhos, terra, chão batido, pés no chão, no concreto da cidade cinza, e nenhum sol hoje vai brilhar, não tem sol na previsão, talvez amanhã, quem sabe amanhã ele brilhe na cidade cinza, a do relevo dos sonhos.

Calçadas cansavam.

Dezembro 20, 2007

Mas quem que na calçada andava, na calçada andava, andava e andava e andava. Andava tanto, não cansava, a calçada não era uma simples calçada, a calçada era um calço, a calçada calçava, a calçada era um caminho, a calçada servia para andar, achar, pensar. Mas quem que na calçada andou, andou tanto, andou muito, andou demasiadamente, andou mas não cansou, quis parar, calçar a calçada, cansar a calçada, a calçada agora calçada, cansada calçada. Sentou na calçada, olhou pra calçada, tocou a calçada, calçada agora quente, cansada calçada. A calçada não falava, a calçada não se mexia, a calçada esquentava, dilatava, a calçada era de pedra, a calçada tinha terra, a calçada tinha alma. Alma de calçada, ninguém entende a alma da calçada, a alma da calçada entende as almas que passeiam na calçada, almas que andam, não almas de calçada. Andam por cima dela, nem a percebem, e a calçada continua ali, um calço, um calço cansado de calçada. Um calço quente, almado, dilatado, calçado. Ninguém é capaz de desalmar a calçada de calço calçado. Ninguém se quer percebe a calçada. Calçava a calçada. A calçada queria um sorriso, a calçada não saberia sorrir, a calçada agora desalmada, passeava pela alma de outras calçadas, a alma da calçada é o sonho do calço, e vice-versa. E milhares ainda andavam pelas calçadas, as muitas calçadas.