Arquivo da categoria ‘georgia’

coisa de não-sentir

Agosto 24, 2008

Acorda e vê que não está bem… que seu dia não será tão gracioso e completo;

Contenta-se em tentar entender e espera…

Os restos da manhã passam e o que era uma falta de compreensão vai ganhando dimensão; mas pouca ainda.

[começa com um leve formigamento na ponta do dedo]…

Passam-se horas e quando se da conta seus olhos enchem de lágrima e sente sufocar – suportável.

[já está se dando conta do que há]

Suas pernas então param de sentir o sentir do tempo e das ruas passarem. Pensa ser normal, pois coisas estranhas e doentias são feitas para pessoas… e por enquanto se considera uma.

Mas o sol se põe e passa a “viver” sozinho e sem garantias.

A noite chega em um lugar que costuma chamar de morada de algo não-suspeitável.

[e daí seguem-se os piores momentos]

Tenta sentar, não consegue…

Tenta se olhar no espelho buscando identificação, em vão…

Deita-se de modo que sua cabeça fique num nível um pouco abaixo do resto do corpo – que é pra se sentir mergulhando.

Gostava muito de mergulhar quando era infância. Nela havia uma mão que lhe guardava e dizia que ficaria bem e seguro.

[aos poucos vai retomando consciência]

Os olhos, antes turvos, abrem-se.

E se lembra como era a vida antes daquele dia… pensa nas pessoas que não estão ali no momento, resgatando as vivências na memória.

Vê que é um processo natural. Acredita que o que tem com as pessoas de sua vida de agora e de antes, de alguma forma, entra em comunhão.

[E até consegue dançar (chorando ainda). Mas sabe que são necessários a dança e o “ter com o que” chorar]

Eis aí uma criatura que por pouco não morre de saudades.

espera

Abril 25, 2008

No ínfimo e no íntimo somos música.

Captar o que diz o silêncio sem expectativa de traduzir com coisas dizíveis.

Ouvir o que poderia não ser dito, se houvesse oportunidade.

Quando atravesso todas as ruas de todas as cidades do mundo [ao mesmo tempo] sinto um prazer doloroso. Um peso que sufoca e dá a vida necessária.

Necessidade de não ter: não ter o que pensar; só quero dos pensamentos as sensações. Sem palavras de preferência.

Dê preferência, please.

Siga…

A seta e o alvo, a captação, o riso, os vôos.

Sim, as íntimas e desconhecidas intimidades que procuramos quando no deparamos com o nobre inesperado.

horizonteamentAÇÕES

Março 8, 2008

11:45 da manhã de um dia todo torto, onde acontecem sempre as coisas antes de sua precisão. Imprecisas, pois. Corre para a janela. É uma janela que diz coisas bonitas (meio esverdeadas e úmidas, mas cheias de sensações). Avista, como de costume, um barquinho que vai sempre pra lugar nenhum… vai e vai sempre…Porém vai determinado dessa vez, com ânsia de chegar e bem munido. Carrega todas as dúvidas e angústias necessárias pra encontrar as respostas; leva consigo também um patinho amarelo de borracha, um cata-vento, um pião (já sem seu eixo que o faz girar), duas penas de tamanhos diferentes, um livro com muitas folhas vazias de sentimentos dispostas a serem preenchidas, e uma meta: a falta de grandes expectativas. Coloca tudo num balaio bem grande, bem na proa. SIM, está pronto pra começar a guerrear.…[a menina imagina]…Ela se volta para o som mágico que está ouvindo, sorri, e leva o resto do dia a pensar que é bom.

Dança

Janeiro 25, 2008

“é assim como uma música parada sobre uma montanha em movimento” … adriana (a que sente coisas) imagina…
assim como ela, como nela, há lugares em mim que não sei bem como descrevê-los – decifrá-los.
acho que é meio assim: não-lugares que deixam sempre a sensação de já ter estado ali. com gentes que, como num passe de mágica, se despem de seus pudores e criam motivos para flutuar livremente – só tomam cuidado quando nuvens anunciam: “o ar hoje está meio pesado… cuidado com as andorinhas mais novas, estão muito maravilhadas com toda a novidade da vida por aqui”.
mas mesmo com toda a teimosia dos cabelos das moças (que dançam fazendo com que as notas musicais escorram) a vida segue…
… ora faz sol, ora faz medo, e ora! o mundo inteiro parece gritar e rir de tanto temor do desconhecido passado.
o futuro por lá (aqui) é quando um chinelo novo encontra uma criança a fim de colocá-lo pra depois largá-lo sozinho (numa brincadeira de “pega-pega”) e depois achá-lo novamente.
sonha. corre. brinca. imagina. some. encontra. confunde tudo. mas ama, acha lindo, e espera… o próximo caminho a ser inventado em direção às estrelas.
ah… as cidades que não conhecemos!

início, meio e fim… fim?

Dezembro 20, 2007

Calçola, calças, cálcio, calcificações ósseas…Calçada. Amigos. Conversas, ou não. Sente-se um pouco, te contarei do mundo. Desse lugar alienante, alienado, de coisas alienáveis; que podem se tornar extremamente lindas e dilacerantes. Daqui, meus amigos, vejo tudo (em cada pessoa que passa; e as que, por algum motivo, não puderam passar ainda) … espero então…
Ontem mesmo uma espécie de pássaro-intrometido me perguntou:
- ei, como pode um homem vivo viver fora do ar?
E eu mais que depressa, o respondi:
- bem… assim assim
Então viramos amigos, e ele fica de lá de cima de seu ar me vendo e me cantando coisas, que por algum motivo (atenção demais talvez) não consigo ver daqui de minha prostração de cada dia. Bem… agora vamos, pois o dia ta começando e não preciso mais observar isso tudo… levo tudo dentro de mim e o que não me serve eu guardo, pra posteridade…