Arquivo da categoria ‘estácioflima’

annaquarela,

Janeiro 17, 2009

madrugada. 03:15 da manhã. roberto carlos na alma, resquícios de cerveja na cabeça. abraços muito bem guardados, vontades sinceras (e ditas) que avançaram sinais vermelhos no caminho até aqui onde moro. tudo tudo sempre fotografado com essa grande angular que é meu coração. eu te entendo inteira e te digo mais uma vez: somos bem mais fortes do que pensamos ser. devemos nos orgulhar e sorrir. sofrer já quase não existe, já morri zilhões de vezes, no próprio onze de janeiro quando meu coração estava (se possível) mais escancarado que no resto desses anos todos e olha eu aqui. somos isso mesmo: “recomeços do-sem-fim”, o transatlântico flutua agora nessas águas rasas dos meus olhos. “é recente”, ela disse. sabemos que eterna é nossa verdade. essa não finda nunca. somos gente demais e isso é o tudo.
abraço daqueles.

Quem disse que saudade é amarga?

Agosto 13, 2008

Saudade não é ruim. Tem o cheiro da praça verde do Dragão do Mar. É macia como as areias da Praia do Futuro. Um tanto ponteaguda como o calçamento das ruas da Cidade Dois Mil, mas dá pra caminhar. saudade ilumina, brilha como as luzes da Santos Dumont, da Costa Barros, da Praia d’Iracema. Quem disse que saudade é amarga? É saborosa como as esfirras do Habib’s, tão cremosa quanto as casquinhas do McDonald’s, crocrantes que nem os churros do Iguatemi. Saudade não é triste, te arrasta pra festa, te puxa pra dançar, canta junto, bebe contigo, fica com você… Não, saudade não mata nem morre. Saudade é eterna…

Julho 6, 2008

Ela tem os pés no chão
ele a cabeça nos sonhos.
Ela exercita o tal do desapego
ele se entrega por inteiro.
Um punhado de canções
uma noite mundo afora coração adentro.
Ele encantado com as constelações do corpo dela
ela de olhos fechados com o roçar da barba dele.
Ele pressa
ela sossego.
Ele coragem e vontade
ela assustada ao saber de tanto carinho.
Agora ela distante
ele com com ela por dentro
bem perto.
Nunca existiu um começo ao certo
e isso não é exatamente um fim.
Ela, ela, ela, ela…
Ele paciência…

Conto…

Abril 29, 2008

Eu conto. Conto tudo. Não tenho escolha, se eu não contar meus olhos me denunciam. Sou praticamente um coração aberto jogado no meio do mundo, e que mundo, sequer sabe da minha existência, resistência. Confesso: só não morri ainda porquê minha natureza é de alegria. Esperança então, nem se fala. Eu choro, choro sim. Noite dessas, bem de madrugada eu chorei de saudade ou a saudade chorou de mim, por mim, comigo, nem sei mais, já somos tão uma coisa só. Ela me atravessa eu a atravesso e seguimos, quando cansamos sentamos e respiramos ares de riso. Sopra uma brisa boa vinda não sei de onde, brilha um
fim de tarde que parece amanhecer. Eu nunca esqueço. O amor que eu sinto é o maior de todos. E eu conto. Eu conto com tudo.

rá tá tá tá… tátá…

Abril 16, 2008

Quando me entendi por gente já estava no meio do fogo cruzado, sem pátria, sem noção. Desarmado, alvo fácil, sem aliados, à mercê do acaso e da morte. Confesso que por diversas vezes fugi desesperadamente, ignorei pedidos de socorro, só pensei na minha pele. Tornei-me cruel, dentes cerrados, olhos vidrados. Eram tantas atrocidades que acabei por descobrir-me meu maior inimigo e essa, ironicamente, foi minha sorte. Repentinamente o fogo cessou. Alívio. Estavam dentro de mim, no mesmo exército, a bomba H e o olhar desolado do inocente. Tornei-me então meu próprio estadista, estreitei fronteiras, descansei meu coração. Hoje sigo mais forte, peito aberto, piso firme e quase sem medo. Todo dia, um dia D, uma nova estratégia, um novo tratado de paz.

Cidade Dois Mil e mais miríades de cidades

Janeiro 29, 2008

Tenho esta cidade em mim. Dia inteiro, madrugada afora. Recantos, desencantos, encontros e reencantos com as luzes. Abraços aconchegantes de sol ardente, beijos de chuva abençoada no meu rosto.
Pessoas na fronteira desta cidade em mim com a cidade que também é minha e de todos. Muros altos eletrificados, muros invisíveis de ignorância armada. O hálito quente dos ônibus, o corra ou morra das avenidas. Das janelas, nas vitrines vejo-me cidade, reflito-me cidade, sinto-me cidade. Cidade Centro, cidade Iracema, cidade Benfica, cidade Aldeota, Cidade Dois Mil e mais miríades de cidades que ainda hei de me encontrar por aí.