amor meu, espero tua volta. passei 120h do dia seguinte acordada pois tua ausência faz o sono se fazer também ausente. e de pensar em toda lentidão do corpo, espreguiço, copos de vinho na cama à espera. bebo um ou dois, dancei frente à sobra, três, debaixo do chuveiro. tomei mais um copo e coloquei as roupas pra secar. fiz o jantar: dois pratos na mesa, bocas famintas. mas você não estava. comi e me comi, mas pode deixar que te guardei um pedaço dentro de mim. escrevo a mim mesma, mas ainda sem esperança que eu me leia.
Arquivo da categoria ‘7 - saudade’
carta a ninguém
Setembro 23, 2008Chora a Cultura Pernambucana
Setembro 13, 2008MESTRE SALU um homem que vai deixar saudades…
http://www.curtaocurta.com.br/curta/71/
“Meu povo levanta poeira, mas eu nunca passo fome, é assim que eu deixo o nome na CULTURA BRASILEIRA”
tem 93 anos, nasceu no quinze.
Setembro 9, 2008consertaram a linha telefônica depois de dois meses. ao primeiro toque, atendo. a voz trôpega do outro lado, na cidade vizinha, reclama saudade.
- alô?!?
- alô!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! karine?!
- …
- minina, você não acha que ta na hora de visitar os seus, não?!
- vô!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! sua benção!
- deus te abençoe.
- vô, eu tô com saudade do senhor!
- e você acha que eu tô usando esse troço (telefone) porquê?!
meu avô, seu antônio lopes, tem 93 anos, nasceu no quinze. anda ereto, tem sinusite e cabelos branquinhos. usa chapéu de massa, faz o café forte mais delicioso do planeta e conta histórias, as mais bonitas do mundo inteiro. em momentos de falar de amor, ele pede, nêga, faz uma ligação aqui nesse telefone celular, faz.
saudade da boa, dessas de expansão, em que se mata com uma paulada certeira.
saudade dela mesma
Setembro 8, 2008coisa de não-sentir
Agosto 24, 2008Acorda e vê que não está bem… que seu dia não será tão gracioso e completo;
Contenta-se em tentar entender e espera…
Os restos da manhã passam e o que era uma falta de compreensão vai ganhando dimensão; mas pouca ainda.
[começa com um leve formigamento na ponta do dedo]…
Passam-se horas e quando se da conta seus olhos enchem de lágrima e sente sufocar – suportável.
[já está se dando conta do que há]
Suas pernas então param de sentir o sentir do tempo e das ruas passarem. Pensa ser normal, pois coisas estranhas e doentias são feitas para pessoas… e por enquanto se considera uma.
Mas o sol se põe e passa a “viver” sozinho e sem garantias.
A noite chega em um lugar que costuma chamar de morada de algo não-suspeitável.
[e daí seguem-se os piores momentos]
Tenta sentar, não consegue…
Tenta se olhar no espelho buscando identificação, em vão…
Deita-se de modo que sua cabeça fique num nível um pouco abaixo do resto do corpo – que é pra se sentir mergulhando.
Gostava muito de mergulhar quando era infância. Nela havia uma mão que lhe guardava e dizia que ficaria bem e seguro.
[aos poucos vai retomando consciência]
Os olhos, antes turvos, abrem-se.
E se lembra como era a vida antes daquele dia… pensa nas pessoas que não estão ali no momento, resgatando as vivências na memória.
Vê que é um processo natural. Acredita que o que tem com as pessoas de sua vida de agora e de antes, de alguma forma, entra em comunhão.
[E até consegue dançar (chorando ainda). Mas sabe que são necessários a dança e o “ter com o que” chorar]
Eis aí uma criatura que por pouco não morre de saudades.
Tenho saudades….
Agosto 13, 2008(Pessoal, tomei a liberdade de postar mais um artigo sobre este fantástico tema…..esse artigo eu achei perdido nos meus arquivos de 2006, quando nem fazia parte deste grupo…lá vai)
Não sei qual é o verbo exato que deve acompanhar esta palavra tão densa. Quando tenho saudades também sou as saudades. Penso saudades, sinto saudades. Vivo as saudades…respiro ar novo mas que nem por ser novo não deixa de estar contaminado por ela, a dolorida, ardida e incompreendida saudades. Parece que esta palavra é plural e ela realmente é. Sempre plural as saudades não sabem ser singulares.
Sempre que sinto saudades de um momento ou de uma pessoa, qualquer que seja o objeto, este vem direto de um sótão empoeirado onde memórias são guardadas. Vem também, entretanto de uma memória que se encontra em parte na cristaleira de cristais raríssimos localizada perto do coração. Vem da sala onde guardo minhas músicas, próximo as orelhas quando dizem respeito às musicas ou ruídos de vento ou cachoeira. As saudades se espalham em pontos estratégicos do meu corpo. As vezes acredito que, em que pese eu ter uma forma que me faça ser identificável como eu mesma, cada fragmento de célula meu tem saudades específicas. Órgãos sentem saudades, chakras sentem saudades, pés sentem saudades.
Sinto tantas saudades de andar descalça de camiseta e shorts de malha no sítio. Pequena olhando o céu. Sinto saudades de colocar o uniforme nas manhãs frias de escola por mais detestável que isso fosse outrora. Sinto saudades do cheiro de roupa limpa da área de serviço. Da casinha de bonecas da minha prima na qual eu brincava incansavelmente.
Sinto saudades dos banhos de mangueira no verão, das ameixeiras amarelas do quintal. Saudades do lanche na lancheira e da fila do leite.
Saudades de quando fumar um cigarro era uma aventura que dava até tontura. Saudades de acordar para brincar nas férias.
As saudades são incontáveis pois fazem parte do conjunto infinito de que somos feitos…..
Melvis
12/2006
Quem disse que saudade é amarga?
Agosto 13, 2008Saudade não é ruim. Tem o cheiro da praça verde do Dragão do Mar. É macia como as areias da Praia do Futuro. Um tanto ponteaguda como o calçamento das ruas da Cidade Dois Mil, mas dá pra caminhar. saudade ilumina, brilha como as luzes da Santos Dumont, da Costa Barros, da Praia d’Iracema. Quem disse que saudade é amarga? É saborosa como as esfirras do Habib’s, tão cremosa quanto as casquinhas do McDonald’s, crocrantes que nem os churros do Iguatemi. Saudade não é triste, te arrasta pra festa, te puxa pra dançar, canta junto, bebe contigo, fica com você… Não, saudade não mata nem morre. Saudade é eterna…
Ácidasaudades
Agosto 12, 2008Palavra aberta, cheia de significados. Triste? Feliz? Um buraco no peito, uma falta. As saudades doem e doem e maltratam, degeneram. Saudades não tem remédio….é uma doença incurável, lancinante, cruel. É tão sarcástica a saudade que agora mesmo me pergunto se ela vai no plural ou no singular. Então as escrevo no plural, pois não há ser vivente na terra que nunca as tenham sentido. Há quem diga que existem as saudades boas, eu ando me convencendo do contrário. Elas existem porque a gente não aceita, não descarta, não digere. As saudades são arrotos de algo que se comeu antes……tenho as evitado de todos os modos. Elas chegam sempre quietas, andam na ponta dos pés, traiçoeiras. Parecem doces no início e quando a gente resolve ouvir o que elas tem para dizer assim, ao pé do ouvido….e elas sempre têm uma estória para recontar, elas dão o bote. As estórias das saudades sempre são coloridas o bastante para roubar a cor do presente. São sereias que cantam sedutoras, chamando os pescadores a se fartarem nos seus seios. Quando já não resistimos a seus encantos elas dão o golpe fatal e nos enternessem com o mel da melancolia, matando o presente, assassinando a presença. De hoje em diante só me entrego depois de muita luta. Quero de todo meu coração o presente que me circunda e me sustenta. Quero gozar de cada segundo de vida sugando cada miligrama de seiva, de ar, de mar e pretendo sinceramente ser consumida sim, mas pelo fogo do aqui e do agora. Amém.
Agosto 12, 2008
porque elas, terrivelmente, cortam os cabelos, depilam-se, compram sapatos novos e vestem as roupas mais mais no dia em que queremos terminar tudo? foi por ela que me aprisionei, desse jeito. o melhor dela.
sim, aquela palavra que não há para os ingleses, vai estar aqui, onde você não está. sim, meu melhor esquema, minha melhor mulher, minha.
Distorções, segredos e saudade
Agosto 12, 2008Terminou de passar o perfume e, antes que fechasse o armário, contemplou uma foto da família no porta-retrato. Delicadamente pousou os dedos sobre um dos rostos que ali estava. Ela nunca deixara de amar Marco. Ah! Aquelas férias inesquecíveis… Quantas lembranças em sua memória, quantas marcas em seu corpo, como o desejava! Jamais esqueceria a forma como a olhara, como seus beijos voluptuosos fizeram-na render-se inteiramente em seus braços até senti-lo penetrar-lhe com força, com vontade, até “Querida, você está pronta?”, o marido encontrou a esposa derramando breves lágrimas. “É a saudade de seu primo falecido, né?”, “Sim, meu amor. Desculpe se demorei para sairmos. Deixemos isso de lado”, disse a esposa se recompondo enquanto era amparada pelo marido. “Deixemos isso de lado… pelo menos até as próximas férias”, pensou ela sorrindo enigmática.

