Peço a paz diariamente. A paz dos bosques floridos. A paz das mães que tem seus filhos no colo. A paz das crianças. Peço a paz dentro de mim. A paz dos lagos refletindo as árvores que os circundam. Peço a paz contida no presente. Dentro de mim uma grande obra em favor da paz. Dentro de mim uma ponte para a paz e outra para a guerra. Tudo dentro de mim. A guerra contida dentro de mim também em cantos recônditos. A guerra que emerge da guerra alheia, da guerra dos mundos em que eu vivo. A guerra, não a paz. Então eis que me vem este tema da paciência e me faz pensar e sentir e tatear as pontes, os caminhos, as trilhas, estradas e rodovias que levam à paz. Quantas desculpas eu dou diariamente para não cultivar este imenso bosque que é a paciência? De quanta intolerância se alimenta minha guerra? De quantas intolerâncias se alimenta a televisão? E a paciência, jardim secreto sempre tão presente ali e eu nos campos de batalha, cortando cabeças, principalmente minha própria. E então a grande ousadia do tema paciência se apresenta assim eterno, eterno, pois me parece que apenas os humanos não sabem cultiva-la. Até Deus e, sobretudo Ele é dotado de imensa paciência. Talvez assista todas essas vidas e mortes nossas de cada dia, sempre paciente, resignado e sorrindo das nossas angústias. Por pura paciência nos planta nesse chão, semeia, rega, nos enche de presentes lindos e aguarda sem qualquer ansiedade nossos frutos naturais, aqueles que virão quando finalmente o jardim da paciência estiver pronto para a colheita de gotas douradas de puro amor, de frutas doces como a jabuticaba e de frutas bonitas como os morangos.
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este imenso bosque que é a paciência
Agosto 10, 2008e como se tudo acontecesse na leveza
Agosto 4, 2008existe um livro que nomeia as coisas (e explica tudo) tudo que você quiser saber. mas ela tem sentido coisas que não se acha no livro. todo dia levanta cedo e sem saber porquê se arruma pega o ônibus e desce. ela entra num escuro vazio onde não se vê pôr-do-sol e os cheiros são de coisa velha e guardada. no não saber porquê, ela espera. continua. passou por algumas coisas que tornaram a espera uma boa companheira. do suportar as coisas. então, no que diz o livro, ela suporta dores. guarda-as pra si e espera. e como se tudo acontecesse na leveza, ela vai.
olhando o relógio que não marca horas
Julho 14, 2008as pedras do jardim são pequenas, redondas, cor de terracota. são como soldados perfilados e penso que tenho um exército de gengis khan bem debaixo dos meus sapatos.
de manhã escureço / de dia tardo
de tarde anoiteço / de noite ardo
Suspiro leve, lenta, antiga. os jardins da reitoria estão mudos.a igreja dos remédios repica os sinos e o relógio que não marca as horas me convence de que tudo vai ficar bem.
Tudo vai ficar bem.
Julho 6, 2008
Ela tem os pés no chão
ele a cabeça nos sonhos.
Ela exercita o tal do desapego
ele se entrega por inteiro.
Um punhado de canções
uma noite mundo afora coração adentro.
Ele encantado com as constelações do corpo dela
ela de olhos fechados com o roçar da barba dele.
Ele pressa
ela sossego.
Ele coragem e vontade
ela assustada ao saber de tanto carinho.
Agora ela distante
ele com com ela por dentro
bem perto.
Nunca existiu um começo ao certo
e isso não é exatamente um fim.
Ela, ela, ela, ela…
Ele paciência…
um pouco mais de paciência…
Julho 5, 2008PACIÊNCIA
Junho 26, 2008desejando não ser um ser de capricórnio
Junho 25, 2008ela diz que hoje não dará certo e que minha cama esperará um outro dia, um dia menos cansado, um tempo mais além, porque eu não posso ter tudo, não posso ter birra, não posso fazer bico. eu não sei fingir um óbvio ‘tá, tudo bem, fico quieta’. não, não sei. porque ando crescida, ando em expansão e não é querer demais querer acordar ao lado dela, sentir o cheiro dela, me apossar das músicas dela, partilhar as sensações todas, o banheiro, a escova de dentes, o lençol. não, não é. mas eu subo no ônibus pequenininho, com o coração pequenininho, as unhas prestes a serem roídas, organizando o pensamento ilógico, desejando não ser um ser de capricórnio, querendo a boca dela, o dente dela, o ouvido dela pra me escutar contar do dia, da aula, das coisas, dos abusos, pra ouvi-la em suas teorias mais bonitas do planeta, pra gente confessar em uníssono a paixão. mas o caminho pra casa é meu só meu. fecho os olhos e respiro fundo. a chave na porta, duas voltas, a cama vazia e o cheiro dela, a alfazema dela, e o maior órgão do meu próprio corpo humano, me avisa:
paciência.
