Arquivo da categoria ‘4 - intimidade’
intimidade resgatada
Julho 8, 2008intimidade
Maio 13, 2008Íntima idade
sem saber onde colocar as mãos porque quando se tem doze anos é tudo muito desconfortável, ainda mais quando se é menina e no corpo aparece tudo de uma vez, peitos, espinhas, pêlos. Morderam juntos o caju e ele achou isso tão sexual que teve que beliscar-se para não assustá-la com seu prazer inoportuno. Afinal a menina tinha doze anos. Ele era muito mais velho, tinha quinze. Já sabia beijar de língua, a menina da rua de baixo havia ensinado na festa do Nonô. Claro que ele não havia gostado mas claro que disse a todos que sim. Agora ele estava com a menina de doze anos, apaixonado até a última figurinha. Como dar o primeiro beijo sem parecer apressado?
Então a menina chamou seu nome. Não, ela gemeu o nome dele.
1.Estava sofrendo um choque anafilático ou algo que o valha.
2.Era terrivelmente alérgica a caju e não sabia.
3.Iria morrer logo se ele não fizesse nada.
Então ele a beijou, tirou a blusa dela para ver onde ficava a junção das costelas, pôs-se a massagear-lhe o coração e por fim a salvou.
é que eu não gosto de pimentão
Maio 5, 2008em todo caso vou deixar acertado uma coisa aqui: nada do que eu diga nesse exato momento quer dizer que não possa ser modificado depois, que pode ser daqui há dois segundos ou pode ser somente na outra volta no planeta, ok?! tá, tudo bem.. e seja o que for, isso não prova nada, não diz nada..é só uma demonstração bem superficial do que tenho guardado aqui dentro. (e apontava pra pele do braço esquerdo). diz logo, criatura! bom, é que eu não gosto de pimentão, não aprendi a nadar, não sei falar inglês, assisto e gosto da novela na emissora concorrente, esqueço propositalmente de escovar os dentes antes de dormir e nunca sei onde colocar as mãos. ah, coloca aqui.
entre o jardim e o lugar
Maio 5, 2008Na entrada da casa,
entre o jardim e o lugar das cadeiras,
eu vi na coluna os traços feitos à lápis.
Um sobre o outro.
Centímetros do corpo, amor rupestre.
Sons e revelações.
Maio 3, 2008Escancaro, grito bem alto diariamente meus segredos. Quase um auto-flagelo. Sou capricorniana, gosto de um drama. E não é falso, meu drama existe, vive, respira, tem coração arrítmico, meu drama é só meu. E está sempre nas minhas músicas que tocam diariamente para serem vistas, para serem lidas, para serem interpretadas. Por que será que ela está ouvindo tanto essa música, esse álbum, essa banda? Por isso mesmo, e não por outro motivo: pra dizer, pra contar tudo de mim sem precisar sair desse estado de silêncio em que me enfiei há meses. Continuo calada, não digo, não peço, não convido. Porém, a manutenção de informações do que acontece dentro de mim é contínua, está sempre lá. Todos os meus sofreres e minhas alegrias. Angústias e sonhos salpicados nas músicas que ouço. Pra lembrar, pra sonhar, pra chorar, pra rir, pra sofrer ou pra ser feliz. Sou atriz, mesmo quando sou personagem tenho minha verdade e me agarro com toda força a ela. Hoje, mais do que nunca, minha intimidade grita aos quatro cantos do mundo. Em portugês, em francês e inglês. E nunca foi tão silenciosa.
Doce intimidade
Maio 1, 2008Um olhar silencioso basta disse ela. Um olhar cúmplice define a intimidade de um casal. Nós temos nos falado muito, nos tocado muito e até discutido demasiadamente. Temos nos visto diariamente e deste diariamente há poucos momentos de intimidade. Nos deitamos nus na cama e nos abraçamos e dormimos para sonharmos com sonhos de intimidade. Estavam juntos há três anos. Moravam juntos há dois.
Ela na intimidade dela tão discretamente preservada a muito custo. Ela não era de se expor muito e detestava ser olhada porque a intimidade de uma pessoa se mostra em pequenos gestos distraídos. Ao mesmo tempo adorava saber intimidades alheias porque ali na intimidade se esconde o diamante ou o punhal que guardamos conosco.
Doroteia não buscava intimidade só com o marido, mas com tudo, com todos, com tudo o que se relacionava e como se relacionava com tudo a intimidade era fatal a ela. Numa conversa banal na porta do banheiro feminino ela buscava amigas com quem contar e saber pensamentos, anseios, lembranças, ideologias, tudo enfim que de intimo fosse.
Olhando para a laranja perfeitamente adaptada a seus dedos finos ela a levava ao nariz para cheirá-la. Era ávida pelo cheiro, pela essência das coisas. Depois a colocava em toda a sua glória dentro de sua boca e sua língua buscava sentir a textura da fruta. Fazia isso com todas as frutas.
Não conseguia fazer isso com o marido. Levá-lo à boca era de um sacrifício imenso. Ele resistia em exalar seu cheiro. Ela então vendo a hesitação dele, desistia de tocar com a boca e sentir com o nariz sua essência intima. Não que eles nunca tivessem sido íntimos. Eram no começo e exalavam um para o outro seu cheiro fértil e doce de frutas que anseiam por uma boca que lhes coma. O cheiro dos apaixonados. Agora que a intimidade era um propósito tudo havia se tornado mais denso e a busca daquele cheiro de amor cor de rosa era tensa, demorada e ela estava muito impaciente.
Mas não tem jeito, tudo conspira para que a paciência se revele em nós. Para que paremos de buscar o tal paraíso para nos darmos conta que já estamos nele. Um dia o marido chegou e a olhou diretamente no olho e os dois reconheceram que a intimidade sempre estivera ali, até na distancia dos corações. Mas olhando nos olhos dele ela sentiu cheiro de fruta novamente e mais um ciclo havia se completado. Até a lua se afasta da terra e esta do sol e até o universo se expande. Todas as vidas têm seu ciclo e nem sempre é época de fruta madura no pé. Basta reconhecer, basta reconhecer disse ela a si mesma, atordoada com a sabedoria de tudo. Nesta hora o cheiro de fruta dele exalou doce, doce de doer e ela o abraçou. O coração dele bateu alto e sim, não havia mais nada a buscar dali em diante.
Conto…
Abril 29, 2008Eu conto. Conto tudo. Não tenho escolha, se eu não contar meus olhos me denunciam. Sou praticamente um coração aberto jogado no meio do mundo, e que mundo, sequer sabe da minha existência, resistência. Confesso: só não morri ainda porquê minha natureza é de alegria. Esperança então, nem se fala. Eu choro, choro sim. Noite dessas, bem de madrugada eu chorei de saudade ou a saudade chorou de mim, por mim, comigo, nem sei mais, já somos tão uma coisa só. Ela me atravessa eu a atravesso e seguimos, quando cansamos sentamos e respiramos ares de riso. Sopra uma brisa boa vinda não sei de onde, brilha um
fim de tarde que parece amanhecer. Eu nunca esqueço. O amor que eu sinto é o maior de todos. E eu conto. Eu conto com tudo.
espera
Abril 25, 2008No ínfimo e no íntimo somos música.
Captar o que diz o silêncio sem expectativa de traduzir com coisas dizíveis.
Ouvir o que poderia não ser dito, se houvesse oportunidade.
Quando atravesso todas as ruas de todas as cidades do mundo [ao mesmo tempo] sinto um prazer doloroso. Um peso que sufoca e dá a vida necessária.
Necessidade de não ter: não ter o que pensar; só quero dos pensamentos as sensações. Sem palavras de preferência.
Dê preferência, please.
Siga…
A seta e o alvo, a captação, o riso, os vôos.
Sim, as íntimas e desconhecidas intimidades que procuramos quando no deparamos com o nobre inesperado.
No meu íntimo
Abril 23, 2008Hoje o dia foi assim… acordamos e fomos para Igreja de São Jorge, aqui no Centro mesmo, ruas e igreja lotada, a maioria das pessoas de vermelho e branco e claro na camisa a estampa da foto do santo, logo percebi cheiros, cores e cantos por todos os lados. Claramente mostram heranças dos africanos e dos europeus, observei que é uma festa em que o profano e o sagrado se misturam, devotos saíam da igreja e iam dançar, sambar e comer feijoada, acarajé ou mocotó, como parte do ritual.
” Eu andarei vestido e armado com as armas de São Jorge para que meus inimigos, tendo pés não me alcancem, tendo mãos não me peguem, tendo olhos não me vejam, e nem em pensamentos ele possam me fazer mal. “
Abraço
Abril 18, 2008Nunca estou sozinha.
Divido meu quarto com minha irmã.
Pego ônibus lotados.
Caminho pela Paulista.
Não falo com ninguém e ninguém fala comigo.
Eles não me conhecem.
Imagino a história de cada um.
Alguns me parecem familiar.
Também gosto de estar só no meio de tantos.
Meus pensamentos são meus, só meus.
Não gosto de dividi-los, pois são meus e ninguém os entenderiam.
Por que só não me abraça e percebe o que sou?
É difícil!

