Arquivo da categoria ‘2 - a cidade que há em mim’

fortitudine

Março 28, 2008

minha cidade tem o coração numa praça com milhares de conversas estendidas pelas tardes. faça chuva ou faça sol. minha cidade não esconde segredos, grita os desabafos. não é enorme nem é pequena. não tem cheiro de nostalgia nem cara de modernidade. minha cidade eu caminho sem medo e não me assombro por encontrar nas esquinas os sorrisos mais bonitos. minha cidade é meu corpo. eu cuido, zelo, enfeito, percorro, me aposso, ofereço, partilho. é forte.

Sou, não sou. Estou, não estou

Março 22, 2008

Não sou eu. Sou eu. Sou várias. Sou uma. Sou única.

Opiniões mudam, mantêm-se as mesmas por anos, por décadas, nunca se quebram, sempre se desmancham.

Nunca sei o que é certo e errado, pois meus princípios são altamente mutantes. Nem sei definir o que quero pra mim. Pergunte-me agora o quero comer que não saberei dizer com certeza na lata.

Mas também sei que quero fazer o que acho certo independente do que as pessoas me dizem e acham ser o mais correto.

Vivo crises constantes. Não, não faço análise. Não tenho que dividir o que penso com outras pessoas, disso tenho certeza absoluta. Se um dia for necessário, paciência, mudo de posição. Pronto!

Enojo-me facilmente. Odeio hipocrisia, mas será que não sou hipócrita também quando dou sorrisos amarelos para quem não suporto? Para aquelas pessoas que renunciam por acharem que fugir da guerra é melhor do que dar continuidade ao que começaram, arrumar a merda feita, ajeitar a casa, assumir os erros e recomeçar? Para aqueles que esquecem de que têm livre-arbítrio, de que podem escolher assistir a programas legais e não BBB’s da vida?

Quero que a discussão dentro de mim nunca pare. E não me refiro à luta entre bem e mal. Nada de maniqueísmo! Isso é chato e monótono demais. São guerras feias entre diversos lados, o que torna os problemas bem maiores do que realmente são.

Não acho ruim. Prefiro assim. Cresço mais e mais rápido dessa forma. Meu pensamento aprende a ser mais completo, mais complexo, mais instigante, mais bonito e incompreensível para os outros. Só eu me entendo. Tenho minha própria gramática, meu próprio vocabulário, minha própria lógica.

Decifrar os outros é ridículo e impossível. Até hoje não aprendi a me entender, quanto mais os outros.

O melhor / pior de tudo é que gosto de mim assim, poderia ser mais tranqüila, mais feliz, menos ansiosa. Mas se não fosse assim, não seria quem sou, e gosto de quem sou.

Sou eu.

Não sou eu.

horizonteamentAÇÕES

Março 8, 2008

11:45 da manhã de um dia todo torto, onde acontecem sempre as coisas antes de sua precisão. Imprecisas, pois. Corre para a janela. É uma janela que diz coisas bonitas (meio esverdeadas e úmidas, mas cheias de sensações). Avista, como de costume, um barquinho que vai sempre pra lugar nenhum… vai e vai sempre…Porém vai determinado dessa vez, com ânsia de chegar e bem munido. Carrega todas as dúvidas e angústias necessárias pra encontrar as respostas; leva consigo também um patinho amarelo de borracha, um cata-vento, um pião (já sem seu eixo que o faz girar), duas penas de tamanhos diferentes, um livro com muitas folhas vazias de sentimentos dispostas a serem preenchidas, e uma meta: a falta de grandes expectativas. Coloca tudo num balaio bem grande, bem na proa. SIM, está pronto pra começar a guerrear.…[a menina imagina]…Ela se volta para o som mágico que está ouvindo, sorri, e leva o resto do dia a pensar que é bom.

Cidade Solar

Março 4, 2008

O mapa da minha cidade está pregado no lado de dentro da minha pele. Bem esticadim. Todo furado com pequenos objetos de metais vermelhos de onde supostamente jorraria água. O céu sobre minha cidade de tempos em tempos é riscado de um horizonte ao outro por uma nuvem branca de fumaça de avião. É um avião muito mínimo e misterioso, a gente quase nunca vê. Os ventos da minha cidade saem de ventiladores gigantes situados lá na ponta mansa e de acesso proibido. Esses ventiladores estão ali pra soprar os navios até o porto. Eles são brancos e têm 3 hélices – os ventiladores, claro. Na minha cidade é perigoso abrir um livro no meio da rua, a gente pode cegar ou morrer atravessada por raios solares. Aqui as pessoas têm a capacidade a-plínica de surgirem subitamente para ilustrar a história que conto. E todos esses sabem o nome verdadeiro da cidade.

onde estão as pessoas?

Março 4, 2008

Dentro de mim as cidades da imagem que habito.

acidadeemmim.jpg

Aqui nasci mas não pertenço a esta cidade nem às suas calçadas

Fevereiro 19, 2008

Minha cidade é pequena, embora grande. Cheia de sons de buzinas e de outdoors. Dizem ser a mais organizada e de tão organizada é monótona durante a semana. Gosto especialmente das calçadas da minha cidade porque são amplas e quadriculadas e nelas cabem todos os passos de um ser humano. Sobre ela passam todos os urbanos e rurais. Passam pensamentos e camelôs. Passam as folhas de outono e as flores que caem amarelinhas e que quando pisoteadas soltam um odor doce e morno. Na minha cidade eu me criei dentro de um quintal durante a semana e aos domingos na feirinha do largo. Lá descobri os artesanatos e os artesãos. Descobri a arte de imitar a natureza sem medidas. A cidade me viu descobrindo sons e sabores dentro dela com suas milhões de gastronomias multiculturais. Na cidade vivi grandes amores e as maiores decepções na noite da cidade. Na cidade meu primeiro beijo, os primeiros amigos, as amigas, as mortes. Ali, atônita com as árvores da cidade eu me contatava com o universo todo mal sabendo que ele era tão mais absoluto e pleno do que eu acreditava. Aqui na minha cidade há gritos e há silêncios raros, raríssimos silêncios entre um sinaleiro que abre e outro. Caminhar por sobre a cidade me extasia quando descubro detalhes que jamais havia me atentado acerca. Aqui também há cercas e grades e muros enormes com mulheres tristes escondidas por detrás de maquiagens. Há o carro dos sonhos que vende de todos os sabores e eu sempre me pego lembrando dos ambulantes que vendiam de tudo na época infantil minha. Vendiam algodão doce e pipocas deliciosas quando minha cidade ainda era quase rural. Hoje as ruas são de duas mãos e as motos e motociclistas afoitos rompem a barreira da educação sadia. Minha cidade é a cidade de muitos, milhões, milhares. Temos uma relação de amor e ódio, como toda boa relação. Minha cidade nem sempre me acolhe. Nem a mim nem às inúmeras pessoas que dormem ao relento, sob o céu da cidade que é muito claro mesmo a noite. Aqui nasci mas não pertenço a esta cidade nem às suas calçadas, nem ao seu sotaque……todas as cidades no mundo são iguais e quanto maiores maior a indiferença que a gente faz dentro delas. Em pensar que tudo isso já foi uma vila de pessoas que se cumprimentavam sorridentes. Sinto saudades disso também.

Hoje não tem sol.

Fevereiro 13, 2008

Na cidade cinza, escura por dentro, escura por fora. Tantas viagens, em tantos dias, de tantos dias. Prédios altos, relevo dos sonhos, terra, chão batido, pés no chão, no concreto da cidade cinza, e nenhum sol hoje vai brilhar, não tem sol na previsão, talvez amanhã, quem sabe amanhã ele brilhe na cidade cinza, a do relevo dos sonhos.

No posto seis

Fevereiro 10, 2008

Gemido pode, se for baixinho. Nua ainda não, mas desnudada contra o vento, no canto do olho apaixonado, quem sabe. Regras deste tipo eram mania dela desde que a vi, de rosto virado pro chão, pisando com cuidado sobre as pedrinhas brancas, no desenho composto da calçada. Pra dar sorte, dizia ela, mas eu pensei: isso não vai dar certo. Quem deu sorte acho que fui eu e agora tento, do jeito que posso, transgredir suavemente o rígido código moral dela. No rosto pode, no lábio mole a língua discreta, oculta no largo da aba, descendo pescoço abaixo pela estampa filtrada da palha, ai, assim não. Na nuca ainda não. Na curva da noite quem sabe, se a luz não fosse tão clara… Pelo dorso adentro meu braço na cintura dela, eu mal me agüento mas finjo que aceito flanar por enquanto na sombra dela, o corpo me delata e toca o flanco, branco, preto, branco eu brincando com a sorte de tê-la conhecido, provando o doce e faminto hálito dela ali, gemendo, aiai, se for baixinho pode.
O amor, como a prosa, não tem regra nenhuma. E aparece até no tombo, foi, com essa mania de rosto pro chão, claro, uma obsessão sempre exclui as demais, contando os passos preto no branco ela esbarrou na mesa, derrubou meu chope e aterrissou no meu colo cansado que ao peso ondulante dela se enrijeceu, se lembrou, gritou de desejo no meio do dia. Depois disso não teve mais chope, nem dama, nem carta jogada fora, o tempo encolhido no encontro, apenas o ponto dolorido do toque na queda abrupta dela, nem olhar a bem da verdade teve. Foi preto no branco e eu virei outro, e agora isso pode, aquilo não pode, é por puro amor que se eu penso não digo, se eu quero não faço, se eu gozo não conto até que ela me abrace e me abra a cona, no apartamento apertado com vista pra praça, as cortinas baixadas e a cama desfeita, onde a gente pode tudo.

violável o corpo

Fevereiro 7, 2008

é lá onde eu quero estar. do outro lado. de dentro.

Cidade minha, ô cidade minha

Janeiro 30, 2008

Há em mim… minha terra natal, cercada por rios e cortadas por pontes, cheia de ilhas e mangues, cidade que corre no meu sangue, cidade da minha infância, da minha família, da inovação musical e da indiscutível musicalidade que amo, cidade do Marco Zero e cidade multicultural: do frevo, do maracatu, do côco, da ciranda, caboclinhos e muito mais. Cidadezinha querida por todos aqueles que visitam, pois sempre querem voltar para sentir novamente boas sensações… como estar no mais antigo mercado público (Mercado São José) uma rara arquitetura de ferro, onde encontramos de tudo que é tradicional; passear pelas belas pontes; ir a museus; a casa da cultura; ao marco zero; a região portuária e sem falar que é bem pertinho de outra cidade encantadora… aquela cheia de ladeiras e casarios todos coloridos e antigos onde encontramos vários ateliês, e que tem um dos pontos de vista melhor do estado, onde tu come tapioca apreciando aquela beleza.

“Salve! Oh terra dos altos coqueiros”

Cidade que há em mim… minha “Veneza Brasileira”