estácio,
desde domingo penso em escrever-te algo, mas sempre acaba em uma carta dessas bem ajeitadinhas com um pedido de desculpas e impessoalidades por não estar contigo no teu aniversário. mas não posso, estácio, eu não posso ser impessoal com alguém que é tão gente como tu.
o fato é que eu não sabia como começar de verdade uma carta que revelasse os porquês inexplicáveis de não ter estado com você (de alguma forma) no seu onze de janeiro. para me justificar eu precisava registrar em palavras verbalizadas (e verbalizar é uma forma de me ouvir e consequentemente registrar) a dor de quem perde uma paixão.
é, estácio, aconteceu de novo, e mais uma vez, uma outra vez (quantas mais serão necessárias?!) aquilo que eu acreditava ser para sempre, findou. assim, como areia escorrida pelas mãos depois de uma ventania réa de nada, cessou um gostar (para uma das partes), e uma andorinha só faz um verão marromeno. aí, tu me sabe, ah estácio, tu é tão conhecedor das paixões mais-maiores-do-mundo, tu me sabe do desmantelo, do desespero que é ficar com uma sensação absurda e enorme de querer continuar a brincar no quintal de flores, mas não me ser mais possível isso. eu faço birra, faço manha, choro, me descabelo, respiro fundo e travo uma batalha interna para continuar acreditando no que chamam de amor. amor pra mim é respirar, estácio. é na pele, são nas coisas mais simples e tão grandiosas!! e eu fiquei dolorida: o corpo, as idéias.. eu não sei onde guardar os planos, onde direcionar uma paixão que é tão muita e que movimenta meu caminhar.
lembrei de você, sim. era seu dia e havia uma programação. quis estar celebrando com você os dias de janeiro, que são tão nossos, mas o tempo de delicadeza não me permitiu.
eu sei que você vai entender esse pedido de desculpas, porque você é um ser que se joga, como eu, nas coisas do coração, não saberíamos ser diferentes. e dessa forma, vamos sendo gigantes, vamos adiante, porque ‘não se afobe, que nada é pra já’.
feliz todos os tempos, estácio. e que o tempo nos seja generoso, nos contemple com amores vindouros, com recomeços do-sem-fim, que é a entrega das almas nossas.
a gente se vê daqui a pouco, no transatlântico.
beijo grande, de amor e afeto bem muito. pra nós.