Posts de Abril, 2008

Conto…

Abril 29, 2008

Eu conto. Conto tudo. Não tenho escolha, se eu não contar meus olhos me denunciam. Sou praticamente um coração aberto jogado no meio do mundo, e que mundo, sequer sabe da minha existência, resistência. Confesso: só não morri ainda porquê minha natureza é de alegria. Esperança então, nem se fala. Eu choro, choro sim. Noite dessas, bem de madrugada eu chorei de saudade ou a saudade chorou de mim, por mim, comigo, nem sei mais, já somos tão uma coisa só. Ela me atravessa eu a atravesso e seguimos, quando cansamos sentamos e respiramos ares de riso. Sopra uma brisa boa vinda não sei de onde, brilha um
fim de tarde que parece amanhecer. Eu nunca esqueço. O amor que eu sinto é o maior de todos. E eu conto. Eu conto com tudo.

espera

Abril 25, 2008

No ínfimo e no íntimo somos música.

Captar o que diz o silêncio sem expectativa de traduzir com coisas dizíveis.

Ouvir o que poderia não ser dito, se houvesse oportunidade.

Quando atravesso todas as ruas de todas as cidades do mundo [ao mesmo tempo] sinto um prazer doloroso. Um peso que sufoca e dá a vida necessária.

Necessidade de não ter: não ter o que pensar; só quero dos pensamentos as sensações. Sem palavras de preferência.

Dê preferência, please.

Siga…

A seta e o alvo, a captação, o riso, os vôos.

Sim, as íntimas e desconhecidas intimidades que procuramos quando no deparamos com o nobre inesperado.

No meu íntimo

Abril 23, 2008

Hoje o dia foi assim… acordamos e fomos para Igreja de São Jorge, aqui no Centro mesmo, ruas e igreja lotada, a maioria das pessoas de vermelho e branco e claro na camisa a estampa da foto do santo, logo percebi cheiros, cores e cantos por todos os lados. Claramente mostram heranças dos africanos e dos europeus, observei que é uma festa em que o profano e o sagrado se misturam, devotos saíam da igreja e iam dançar, sambar e comer feijoada, acarajé ou mocotó, como parte do ritual.

” Eu andarei vestido e armado com as armas de São Jorge para que meus inimigos, tendo pés não me alcancem, tendo mãos não me peguem, tendo olhos não me vejam, e nem em pensamentos ele possam me fazer mal. “

Abraço

Abril 18, 2008

Nunca estou sozinha.

Divido meu quarto com minha irmã.

Pego ônibus lotados.

Caminho pela Paulista.

Não falo com ninguém e ninguém fala comigo.

Eles não me conhecem.

Imagino a história de cada um.

Alguns me parecem familiar.

Também gosto de estar só no meio de tantos.

Meus pensamentos são meus, só meus.

Não gosto de dividi-los, pois são meus e ninguém os entenderiam.

Por que só não me abraça e percebe o que sou?

É difícil!

rá tá tá tá… tátá…

Abril 16, 2008

Quando me entendi por gente já estava no meio do fogo cruzado, sem pátria, sem noção. Desarmado, alvo fácil, sem aliados, à mercê do acaso e da morte. Confesso que por diversas vezes fugi desesperadamente, ignorei pedidos de socorro, só pensei na minha pele. Tornei-me cruel, dentes cerrados, olhos vidrados. Eram tantas atrocidades que acabei por descobrir-me meu maior inimigo e essa, ironicamente, foi minha sorte. Repentinamente o fogo cessou. Alívio. Estavam dentro de mim, no mesmo exército, a bomba H e o olhar desolado do inocente. Tornei-me então meu próprio estadista, estreitei fronteiras, descansei meu coração. Hoje sigo mais forte, peito aberto, piso firme e quase sem medo. Todo dia, um dia D, uma nova estratégia, um novo tratado de paz.

Vestindo o agora

Abril 9, 2008

Vivo tentando escrever minhas intimidades em meu blog, numa maneira de me despir com muito cuidado para não ser presepeiro. Talvez uma característica latente de minha vaidade. Agora são 22:30 no Rio de Janeiro, o dia é 7 de um abril único de um 2008, também único, chove lá fora e eu ouço Fernanda Takai e Rodrigo Amarante numa música que diz: “Chove chuva traz o meu amor“, esta é minha intimidade agora, me sinto forte e um espírito que quer ultrapassar o corpo rasgando primeiramente meus olhos, não ele não sairá. Despido aqui estou no laboratório da faculdade. Falando em música, em intimidade…me lembro também de uma do capital inicial que pergunta: “o que cê faz quando ninguém te ver fazendo ou o que você queria fazer se ninguém pudesse te ver?”. Sempre lembro desta música quando entro no banheiro e lá grito, choro e tenho desejos que sempre ali aparecem, a maioria realizável. Este texto é despido, pelado, sacana como os desejos realizados nos sonhos, onde o ‘não’ não existe, nem a morte. Mas por mais que eu me dispa peço pra deixar a luz apagada.