lá.

By nacalcada
as luzes mudam três vezes ao dia. o sol da manhã pousa os melhores raios, o calor mais vibrante. o movimento intenso de passantes lembra a caminhada, o primeiro dia de escola, a labuta bendita, a feira, o almoço a preparar. o início da tarde traz a preguiça, um vazio que impera em solidão. a quentura do dia se concentra lá, teimosa e displicente. a brisa fagueira do fim de tarde seduz ao encontro. a confluência da tarde com a noite é chamamento para a velha prosa, para compartir os acontecimentos diários, para despedidas intermináveis. a brincadeira das crianças se concretiza lá. a amarelinha é desenhada como no pensamento, a corda estala estridente e a bola rasteja-pula quicando. lá também é endereço do namorinho de portão, inocente, sabido e brejeiro. risadas, gargalhadas, constatações, afetos, puxões de orelha, manifestações de apreço e gentileza. na calçada. nas calçadas.

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2 Respostas para “lá.”

  1. Lara Disse:

    Dizem que, para os melancólicos, as horas da manhã são as mais dolorosas. É como sentir que “todas as manhãs do mundo são sem retorno”.

  2. flávia Disse:

    adorei a corda estalando estridente,era uma coisa que eu percebia mas ninguem via (ou ouvia).Chlept, chlept.

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